quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Nanotubos levam prêmio de melhor tese de doutoramento

Paulo Antonio Trindade Araújo, doutor pela UFMG, desenvolveu trabalho que rendeu 16 publicações em revistas internacionais de alto impacto.


Paulo Antônio, da UFMG, levou a melhor
O Doutor Paulo Antônio Trindade Araújo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é o autor da tese agraciada com o Prêmio José Leite Lopes, promovido pela Sociedade Brasileira de Física (SBF). A tese de doutoramento vencedora teve como protagonistas os nanotubos de carbono, foco de pesquisas no mundo inteiro.

O trabalho foi orientado pelo professor Ado Jório de Vasconcelos, do Departamento de Física da UFMG, e resultou na publicação de nada menos que 16 artigos em revistas internacionais, sendo dois na Physical Review Letters, três na Nanoletters e quatro na Applied Physics Letters. "O conjunto da obra, ainda que envolva outros pesquisadores no Brasil e do exterior, é bastante impressionante", disse Marcus de Aguiar, pesquisador da Unicamp e coordenador do prêmio.

Disputa acirrada

Foram 29 teses inscritas na disputa -- mais que o dobro das enviadas no ano passado. "Os assuntos foram desde o estudo das propriedades de nanoestruturas, como nanofios metálicos e nanotubos de carbono, até Gravitação, Cosmologia e Mecânica Estatística, passando pelo Enovelamento de Proteínas e o Ensino de Física", diz Aguiar. "Essa diversidade de temas ligada à incrível qualidade dos trabalhos apresentados e das publicações que deles resultaram, dá uma ideia da dificuldade encontrada pela comissão julgadora em apontar um vencedor."

Além da tese premiada, a comissão decidiu conceder três menções honoríficas para os melhores trabalhos das outras áreas, em razão do desafio de comparar trabalhos tão distintos. As menções ficaram com Dra. Maria do Socorro Pereira, da UFAL, na área de mecânica estatística; Dr. André Landulfo, do IFT-UNESP, em informação quântica; e Dr. Marcio Teodoro, da UFSCAR, com seu trabalho no efeito Bohm-Aharonov.

O vencedor

O trabalho desenvolvido na tese de Araújo atacou duas questões fundamentais da nanociência, com foco na física dos nanotubos de carbono. A primeira diz respeito à influência do meio ambiente nas propriedades eletrônicas e vibracionais dos nanotubos.

Como essas estruturas nunca estão completamente isoladas, saber como suas propriedades mudam em situações reais, quando estão dissolvidas em um líquido, por exemplo, são de grande importância.

Mostrou-se que, de fato, as interações dos nanotubos com o meio ambiente aumentam certas frequências vibracionais dos nanotubos, mudando o chamado "espectro de fonons", e também alteram sua constante dielétrica.

Esses são aspectos fundamentais no desenvolvimento de tecnologias à base de nanotubos de carbono, pois definem um método para se obter as propriedades estruturais e eletrônicas destas estruturas nanoscópicas.

Na segunda parte do trabalho o autor construiu um sistema integrado de microscopia e espectroscopia que permitiu fazer manipulações em escala nanométrica sobre os nanotubos, usando microscopia de força atômica, e, ao mesmo tempo, medir os efeitos dessas manipulações com espectroscopia óptica de alta resolução.

Em particular, o trabalho elucidou as propriedades elásticas de nanotubos sujeitos a deformações. O estudo tem aplicações em uma das mais importantes aplicações destas nanoestruturas, que é o reforço mecânico em sistemas macroscópicos.

Fonte: SBF

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

UFRN concede título de Doutor Honoris Causa ao cientista israelense Itamar Procaccia

Texto: @Oliveiraerik


Foto: site do Instituto Weizmann de Ciência
O professor e pesquisador israelense Itamar Procaccia, do Instituto Weizmann de Ciência (Israel), recebe na próxima sexta-feira, 26 de outubro, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A solenidade está marcada para as 18h no Auditório Otto de Brito Guerra, localizado no prédio da Reitoria da UFRN. Devem comparecer à cerimônia cientistas, jornalistas e autoridades.
 
A comissão de honra encarregada das vestes talares do homenageado será composta pelo ex-Ministro da Ciência e Tecnologia, o professor Sergio Rezende; pelo diretor do  Instituto Metrópole Digital e ex-reitor da UFRN, o professor José Ivonildo do Rêgo; e pelo diretor do Instituto Internacional de Física, o professor Alvaro Ferraz.

A homenagem foi decidida no Conselho Universitário (CONSUNI), órgão máximo da UFRN para questões deliberativas e de planejamento, no dia 28 de setembro deste ano. A resolução do CONSUNI de número 006/2012 considerou a "sua valiosa e importante contribuição para a criação do Instituto Internacional de Física – IIF" como uma das justificativas da concessão do título ao cientista.

A resolução assinada pela reitora da UFRN Ângela Paiva Cruz, que preside o Conselho, considerou também a produção científica e premiações internacionais do professor Procaccia, que é, inclusive, presidente do Conselho Assessor Internacional do Instituto Internacional de Física da UFRN.

O homenageado

Itamar Procaccia é um dos pioneiros no campo da física estatística e da Teoria do Caos. Em suas pesquisas, tem descrito e quantificado complexos fenômenos naturais. Foi nomeado o Professor UNESCO em Ciência e Desenvolvimento Sustentável para a América Latina para o período de 1995 a 2000.

Ao longo de sua carreira acadêmica, o ilustre professor tem estado na fronteira da Física Estatística e da Física de Fenômenos não-Lineares. Seus trabalhos científicos abriram novos caminhos para a ciência, sendo determinantes para a evolução dessas duas áreas, entre outras.

Possui mais de 350 trabalhos científicos, que receberam um total de mais de 19 mil citações em outros trabalhos. Em função disso, recebeu inúmeras honrarias e prêmios internacionais, como o Prêmio Weizmann de Física, em 2005; o Título Grande Ufficialle, do Governo Italiano por suas contribuições científicas; e o Prêmio Israel de Física, em 2009.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cientistas identificam célula que controla memória



Ao encontrar um velho conhecido, seu cérebro compara a imagem daquela pessoa às informações previamente armazenadas em sua memória. Contudo, a maneira pela qual o cérebro alterna, rapidamente, entre o modo de processamento de estímulos sensoriais, como a visão, e o de evocação de memórias, permanecia desconhecido até agora.

Um grupo de neurocientistas do Instituto do Cérebro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN), em colaboração com cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, descobriu uma peça fundamental desse quebra-cabeça. O estudo, publicado na Nature Neuroscience deste mês, é fruto de um convênio de cooperação científica financiado 
pela Capes.

“O cérebro pode ser comparado a um computador extremamente eficiente, capaz de processar, armazenar e recuperar uma quantidade enorme de informações diariamente”, aponta o neurocientista da UFRN, Richardson Leão. “Ao contrário do computador, mostramos que o cérebro utiliza somente um mecanismo para gravar e lembrar memórias, alternando entre um modo e outro em frações de segundos”, completa.

No estudo, os cientistas descobriram que a ativação de um tipo específico de neurônios conhecidos por OLM altera o fluxo de informação do hipocampo, uma região cerebral que funciona como uma espécie de memória RAM do cérebro. O achado só foi possível graças a importantes avanços tecnológicos recentes. Para conseguir identificar as células OLM, por exemplo, o grupo sueco, liderado por Klas Kullander, gerou um camundongo transgênico em que tais neurônios brilham quando iluminados por luz verde.

Por sua vez, o grupo dos cientistas brasileiros, comandado por Leão, injetou nesse animal um vírus geneticamente modificado, deixando as células OLM sensíveis à luz. Dessa forma, ao utilizar fibras óticas, os cientistas foram capazes de ativar e inativar estas células, lançando mão de uma nova tecnologia conhecida por optogenética.

“Em trabalhos anteriores, havíamos previsto que os neurônios do tipo OLM teriam um papel-chave no controle da memória. O animal desenvolvido na Suécia nos permitiu finalmente testar essa hipótese”, explica Adriano Tort, da UFRN e um dos autores do estudo. 

Na pesquisa, os cientistas mostraram que as células OLM modulam a entrada e saída de informações nas vias do hipocampo. “Quando ativadas, essas células priorizam os sinais provenientes do próprio hipocampo, evocando memórias armazenadas ao mesmo tempo em que fecham a entrada de informações sensoriais nessa região”, explica Tort. Os cientistas também conseguiram demonstrar que o contrário ocorre quando essas células estão inativas.

Segundo Leão, o próximo passo é realizar estudos eletrofisiológicos no ICe- UFRN, ou seja, uma investigação da atividade elétrica do cérebro, para entender de que forma as células OLM influenciam as ondas cerebrais no hipocampo, também envolvidas na formação de memórias. Antes disso, o cientista diz ser necessário vencer outros desafios e aponta um dos entraves da burocracia brasileira.  “Para a ANVISA, importar animais transgênicos para pesquisas científicas de financiamento público é tratado como biopirataria”, afirma.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

UFRN promove segundo simpósio de neurocilências em novembro


O II Simpósio do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFRN (PGNeuro), a ser realizado de 10 a 13 de novembro no Resort Eurosol, em Tibau do Sul, reunirá grandes nomes internacionais da área de Neurociências. Um dos objetivos é transmitir informações multidisciplinares das atuais teorias sobre a geração de diversas funções cerebrais a partir do nível molecular, além da divulgação e discussão de um dos temas mais estudados da neurociência: os circuitos neurais.

Segundo os organizadores, a forma de se estudar neurônios e circuitos neurais têm sido modificada radicalmente. As revoluções tecnológicas em eletrofisiologia, genética e microscopia permitem atualmente a manipulação de fenômenos neurais bem como a melhor observação desses fenômenos de forma que seriam inimagináveis há uma década atrás.

Devem comparecer nomes como Thomas Knopfel, do Instituto Riken do Japão; Peter Stern, editor da revista Science;  Ralf Galuske, Technische Universität Darmstadt;  Miguel Castelo-Branco,  da Universidade de Coimbra;  Jesper Ryge, Escola Federal Politécnica de Lausanne, Suica; e Leslie Loew, da Universidade de Connecticut, EUA.

Inscrições e informações pelo email simposio@neuro.ufrn.br  ou no site www.neuro.ufrn.br/IIsimposiopgneuro.